publicada em 29/08/2016 e atualizada em 31/12/1969

Mr. Catra vai além do funk em novo programa

Funk NotíciasRio de Janeiro, Brasil

mr catra

POR NATÁLIA CASTRO

RIO — Com sua indefectível voz rouca, Wagner Domingues Costa, mais conhecido como Mr. Catra, tenta explicar o conteúdo de seu novo programa, “Bagulho louco com Mr. Catra”, que estreia nesta quarta-feira e será exibido uma vez por semana, ao vivo, às 21h30m, no Multishow.

— Ah, o nome do programa tá explicado, é um bagulho doido, com pouco papo e muito som, tá ligado? Eu e convidados vamos conversar sobre tudo o que vocês sempre quiseram saber. Um papo na moral, descontraído, tá ligado? É o momento de os amigos trocarem ideia — afirma ele, usando o “tá ligado”como vírgula.

Conhecido por funks proibidões, como “Adultério” (“Sabe aqueles dias que tu acorda de ressaca, muito louco, doidão, tua roupa tá cheia de lama, e a cachorra tá na cama”), pelas opiniões polêmicas e pelos 32 filhos (sim, 32), Catra promete mostrar um outro lado seu. Ou melhor, vários outros lados, afirma a diretora do programa, Stella Amaral.

— As pessoas não fazem ideia da cultura extraordinária que o Mr. Catra tem. Ele canta samba, canta rock pesado. Ele é popular e é extremamente culto, uma percepção que a mídia não tem. Não vamos falar só de música, não dá para propor só isso — explica Stella.

FUNK COM RESPEITO

O programa terá sete edições, em que Catra vai conversar e tocar com seus convidados. Vai ter funk? Claro. Mas também MPB, rock, samba e tudo o que o papo permitir. Além de cantar, ele toca bateria. Na década de 1980, chegou a atuar como guitarrista numa banda de rock. Em 2012, lançou o CD “Com todo respeito ao samba”.

— Vamos tratar o funk de maneira harmoniosa — promete Stella. — Queremos desmistificar que é feio, que é pejorativo. E existe o reconhecimento de outros elementos musicais, artistas que respeitam esse funk, é uma coisa democratizadora.

O primeiro encontro é com Caetano Veloso. Já estão confirmados nomes como Xande de Pilares, Marcelo D2 e Lulu Santos.

— Além de músicos, são pessoas formadoras de opinião — defende ele.

As parcerias musicais serão acompanhadas por uma banda, a Banda Base. Um dos filhos de Catra, Lucke, de 20 anos, será o DJ da atração.

— Eles têm o feeling, têm o traquejo. Eles trampam. Desde o mais velho ao mais novo. Só tem um que é jogador de futebol (risos) — comenta o músico carioca nascido na Tijuca, mas que atualmente vive em Mogi das Cruzes, na Região Metropolitana de São Paulo, com 24 de seus rebentos. — Tô morando com uma galera (risos). Então, lá é mais tranquilo, é melhor para cuidar dos filhos, mana. E é perto do Rio, né? São 300/400 km, tem voo direto. Tranquilo — justifica.

Apesar da distância, Catra diz que a proposta do Multishow veio a calhar. A agenda de shows pelo país se concentra nas terças e nas quintas. Nas quartas, ele “ficava de bobeira”.

— Foi um presente, só gente boa, que fechou no bagulho. Foi rapaziada do Multishow, foi Deus que tocou na mente do irmão, me chamaram. Eu tinha essa disponibilidade, mas tudo acontece na hora de Deus — defende ele, que se diz hebreu. — Eu sigo um Deus único lá do início. Acredito num Deus sem religião, na força universal, no supremo, no onipotente.

ONZE QUILOS A MENOS PARA FICAR 'ANATÔMICO'

Para fazer bonito na frente da TV, Catra encarou uma dieta radical com uma médica ortomolecular e perdeu 11 quilos.

— Não estava gordo, estava confortável demais — ele diz. — Agora estou mais anatômico. Na frente da câmera faz diferença. O mais difícil foi diminuir o refrigerante. Mas tô mantendo devagarinho.

Foi, de fato, a única providência do cantor, que jura não sentir frio algum na barriga por conta de estar ao vivo. Nem na TV nem antes de pisar no palco para um show:

— Não faço nada. Deus é comigo, não precisa de ritual. Nem concentro, tá ligado? O sucesso não pertence à gente, pertence a Deus. Peço que ele me dê a mão para que eu continue sendo um bom zelador.

Para a diretora, o maior desafio não são as opiniões “políticas, sociais e antropológicas” do músico, e sim a execução de um programa ao vivo.

— Mas eu amo fazer ao vivo, dá uma possibilidade artística para a gente, uma coisa quente para a audiência, muito maior do que o gravado. É aquilo que é, sem maquiagem — argumenta Stella, que também dirige o “Música boa ao vivo”, apresentado por Anitta, às terças, no canal.

fonte: JORNAL O GLOBO

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